O advento da Internet e, principalmente, as inúmeras formas de difundir a informação de forma rápida e constante que ela possibilita, inegavelmente, mudaram o jornalismo, o jornalista e sua formação profissional. Resta saber se para melhor ou para pior. Esse questionamento ainda não se pode responder com propriedade. O momento é de adaptação, descoberta, desenvolvimento de uma linguagem e identidade própria desse veículo, que também pode ser fonte e ferramenta, fim e meio, mas sobre o qual ainda se desconhecem potencialidades no campo jornalístico.
A busca pela imparcialidade, a apuração bem feita, a investigação, ir para a rua, sair da redação, ouvir fontes (não somente as oficiais) ou, pelo menos, levantar o telefone do gancho são atividades básicas, inerentes à profissão, mas que estão cada vez mais distantes da realidade do jornalista. Não apenas daqueles que trabalham para sites de notícias, mas também dos profissionais das outras mídias. Em uma redação de televisão, por exemplo, uma boa imagem, feita às nove horas da manhã, pode render uma reportagem de destaque em um jornal de veiculação nacional, à noite. No entanto, se ela for difundida massivamente na internet, em grandes sites de notícia, durante o dia inteiro, provavelmente será apenas veiculada como uma nota coberta, se houver tempo, nesse mesmo jornal. A internet mexeu na lógica temporal da veiculação de notícias. O “agora” do rádio, o “há pouco” da televisão e o “ontem” do jornal já enfrentam dificuldade de acomodação diante do, cada vez mais dinâmico, “deadline” da internet, em função de sua instantaneidade, velocidade, necessidade de atualização constante e quantidade exigida de informações.
Os empregadores, sejam eles grandes ou pequenas empresas jornalísticas, aproveitam-se dessas características. Como resultado, os jornalistas desempenham várias funções. Necessitam ter, pelo menos, uma boa noção técnica do uso de ferramentas de edição, publicação e geração de conteúdo de texto e/ou audiovisual. Para os proprietários de sites de notícias, o melhor, mesmo, é que os jornalistas as dominem completamente. Os pequenos querem fazer algo parecido ao que fazem os grandes veículos, mas têm as limitações financeiras oriundas do fato de serem pequenos. No entanto, a web é democrática, qualquer um pode publicar o que quiser e permite uma megalomania informativa digital, que só poderá ser sustentada por um publicador de informações multitarefado, que, às vezes, consegue ser jornalista. Já as grandes empresas até valorizam o chamado profissional multimídia. São desenvolvidos cursos, investe-se nos super-repórteres, que até ganham mais que os outros, mas desempregam outros quatro ou cinco. Na verdade, é mais uma forma de reduzir custos.
Em meio a tanta novidade, à necessidade de se produzir cada vez mais conteúdo jornalístico para abastecer os sites e à sobrecarga imposta ao jornalista, nesses tempos de internet, nunca foi tão importante a formação profissional acadêmica. É fundamental oferecer o subsídio necessário para que os novos jornalistas não se limitem a meros reprodutores de conteúdo, tecnólogos em digitação e copydesk, e para que desenvolvam a consciência crítica de que realizam um trabalho intelectual. A academia precisa criar as condições para que a maior ferramenta do jornalista, que é a palavra, seja utilizada com propriedade, esmero, correção, seja no veículo que for. É preciso voltar às origens. Ter uma formação mais humanística, o que jamais será substituído pelo tecnicismo, pela forma e pelos programas de computador. Mais importante do que responder se o jornalismo está mudando para melhor ou para pior, com a internet, talvez seja ter esse questionamento sempre presente, no dia-a-dia das redações.
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