segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Na Feira do Livro, eles vendem de tudo, menos livros




Durante os seis primeiros dias da 57ª Feira do Livro de Porto Alegre, foram vendidos 138.361 livros. O número ultrapassa a quantidade comercializada no ano passado em 1.571. A cada edição, desde 2006, o recorde de vendas vem sendo superado. Outro número impressionante é o de visitantes. Somente no feriado de Finados, no dia 2 de novembro, a Brigada Militar estima que duzentas mil pessoas tenham passado pelas imediações da Rua da Praia. No entanto, não são apenas os livreiros e as editoras os beneficiados com tanto movimento. O evento leva prosperidade a todo tipo de comerciante.

Há 44 anos, seu José Alves Valenscino sacia o desejo aguçado pelo olfato de quem atravessa a Rua dos Andradas. Pai de sete filhos, sustenta a família com a venda de saquinhos de pipoca. “Esse cheiro é a minha propaganda”, afirma inspirando, profundamente, como se saboreasse a guloseima através das narinas. Durante os demais dias do ano, o endereço da barraquinha do seu José é outro, em frente a uma escola, também no centro da cidade. No entanto, o que garante seu 13º salário e as férias é a Feira do Livro. “Durante a feira, chego a vender duzentos saquinhos de pipoca por dia”.

A poucos metros da barraquinha de pipoca, testemunhando a eterna conversa de Drumond e Quintana, o último lambe-lambe registra o presente dos visitantes, mas à moda antiga. Utilizando uma câmara escura de madeira, Vaceri Freitas retrata os curiosos, os casais apaixonados e os filhos acompanhados dos pais, que pagam R$ 20,00 pelas quatro imagens, em preto e branco, impressas em papel. Freitas não sabe até quando vai poder trabalhar. “Fico aqui até que continuem fabricando o negativo usado para a revelação da foto”, conforma-se. Os quarenta anos de ofício podem ser interrompidos a qualquer momento, os negativos Kentmere, importados da Inglaterra, chegam apenas duas vezes por ano à Casa do Filme, na capital. Por enquanto, o fotógrafo aproveita os finais de semana de feira para reforçar a aposentadoria.

Há também quem não goste de disputar espaço com os livros. Pintados a óleo, os quadros de decoração do artista J. Dimas são vendidos, desde 1992, na Praça da Alfândega, em frente ao shopping Rua da Praia. Bem próximo a uma das entradas da Feira do Livro, ele afirma que as pessoas não têm muito tempo para apreciar e, muito menos, para comprar a sua arte. “Não sei se o povo está sem dinheiro ou sem sensibilidade. A Feira do Livro acaba até competindo com o meu trabalho”, resigna-se.

Porto Alegre recebe, neste ano, um novo personagem a circundar a feira. Um jovem de 21 anos, saxofonista, nascido em Santa Catarina. Satisfeito com os R$ 80,00 que recebeu nas primeiras quatro horas de trabalho, Matias Gatto Lopez se prepara para ficar, pelo menos, três semanas, na capital. “A feira é uma excelente oportunidade. Além disso, sempre fico um bom tempo em cidades grandes”. Lopez está percorrendo o Brasil com um grupo de cinco amigos artistas. Eles viajam em uma Kombi, buscando liberdade para expressão de sua arte. Amante do chorinho, um dos seus compositores preferidos é Raul de Barros. Como um professor, o saxofonista fala sobre a história da música brasileira e de uma melodia, em especial, intitulada “Na Glória”. A música é uma homenagem de Raul de Barros e Ari dos Santos à Igreja da Glória, no Rio de Janeiro. Assista ao vídeo.



Para o Twitter:

Eles comercializam arte e provocam os sentidos, em plena Feira, mas não vendem livros.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Emoção e nostalgia na abertura

O Palco Mundo, com 25 metros de altura, foi inaugurado às 19h de sexta-feira (23), na Cidade do Rock, no Rio de Janeiro. Um show especial reunindo o grupo Titãs e Paralamas do Sucesso, mais os convidados Milton Nascimento, Maria Gadú e Orquesta Sinfônica brasileira abriu os trabalhos sobre o local onde se apresentarão as principais atrações do Rock in Rio 2011.

Um dos momentos mais emocionantes da noite se deu, justamente, no palco principal, quando Milton Nascimento homenageou os saudosistas de plantão e a primeira edição do evento entoando o hino do Rock in Rio. Love of my Life, em 1985, acompanhada por um coral de milhares de brasileiros, foi considerada por Fredy Mercury a melhor versão da música. Além da canção, um telão com imagens do líder do Queen finalizava a homenagem póstuma.

Depois do resgate histórico, foi a vez de Katy Perry levantar a plateia, tomada por adolescentes que foram até lá para ver, também, o encerramento da noite com o show de Rihanna. No entanto, durante a noite mais família do evento, Sir Elton Jhon fez a alegria dos pais de muitos dos jovens presentes. O show ocorreu entre uma apresentação e outra das musas e foi aberto por Saturday Night´s Alright. Uma cena inusitada também marcou a apresentação, quando um sósia do Elton Jhon invadiu o palco.

Katy esbanja bom-humor e sensualidade na Cidade do Rock

A musa internacional Katy Perry fez um show repleto de cores, estilo e sensualidade, na noite de sexta-feira (23), no Rock in Rio 2011. Na cidade do Rock, a estrela pop norte-americana foi a primeira a brilhar no Palco Mundo. Katy abriu o show com Teenage Dream, do disco homônimo.

Divertido e animado, o show contou com diversas trocas de figurinos, apresentação de samba dos dançarinos e backing vocals, um mergulho na plateia e banho de espuma. A cantora não decepcionou o público cantando vários hits como Hot na Cold, Last Friday Night e California Girls. Durante, I Kissed a Girl, chamou um rapaz da plateia com quem trocou carícias e até um beijo.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

TÍTULO - EUA homenageiam vítimas do 11/09


LEAD

Os Estados Unidos lembraram, neste domingo, os dez anos do atentado terrorista que mudou o mundo para sempre. Milhares de pessoas, em todos os continentes, voltaram suas atenções, mais uma vez, através da televisão, para o antigo centro econômico de Nova York. Sob alerta de uma nova conspiração da rede Al Qaeda, desta vez, os olhos do mundo assitiram às cerimônias em homegnagem às quase três mil vítimas do ataque ocorrido em 11 de setembro de 2001.

SUBLEAD

A peça central dos eventos foi o Marco Zero, local onde ficavam as Torres Gêmeas do Wolrd Trade Center, onde foi inaugurado um memorial dedicado às vítimas. O presidente dos EUA, Barack Obama, e a primeira-dama, Michelle Obama, deram início aos eventos deste domingo às 8h40. Em sua fala, Obama citou o Salmo 46, invocando a presença de Deus para superar o sofrimento. Outras diversas celebrações, com os parentes dos mortos, ocorreram em várias cidades americanas.

INTERTÍTULO

Assita a trecho do discurso do presidente Barack Obama

CORPO

Em seguida, o ex-presidente George W.Bush e a ex-primeira-dama Laura, atrás de uma proteção à prova de balas, começaram a leitura de 2983 nomes – referentes aos 2977 mortos em Nova York, Washington e Pensilvânia, há dez anos. A lista não inclui o nome dos 19 terroristas a bordo das quatro aeronaves em 2001.

O memorial foi aberto à visitação dos parentes das vítimas, pela primeira vez, após a leitura dos nomes. O espaço de três hectares, aberto ao público na segunda-feira, possui duas grandes fontes com paredes de água fluindo sem parar no local exato onde ficavam as torres. A principal torre do novo complexo está sendo erguida perto do memorial. O prédio alcançará 1776 pés (541 metros) e será o futuro edifício mais alto dos EUA. A altura, em pés, corresponde ao ano da independência Americana.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Neto da dona Ana discute a figura do repórter multimídia



Em meio a um clima de descontração, o jornalista e correspondente de guerra do Grupo RBS, Rodrigo Lopes, dividiu com alunos do curso de comunicação as experiências dos bastidores de grandes reportagens e de quinze coberturas internacionais. Durante o “Papo de Redação”, da última terça-feira, Lopes falou, ininterruptamente, por mais de duas horas, mas, em momento algum, deixou de contar com a total atenção dos estudantes. O tom desenvolto da palestra foi ditado logo nos primeiros minutos. O jornalista se apresentou ao público como o único repórter de rádio a entrar na embaixada brasileira, em Honduras, em 2009; como o único repórter a cobrir os dois lados do conflito entre Israel e o Hezbollah, em 2006; como jornalista premiado pelas mãos do Rei da Espanha, em 2003; mas também como o neto da dona Ana, dindo do Miguel e dono da gata Benin, provocando gargalhadas e empatia de quem o assistia.



Rodrigo Lopes refletiu sobre o desafio e as oportunidades de ser um repórter multimídia e contou como foi o começo do seu trabalho em diferentes plataformas. Quando era repórter somente do Jornal Zero Hora, em 2003, realizou sua primeira cobertura internacional nas eleições presidenciais da Argentina. O jornalista estava em um hotel, um reduto menemista, onde o então adversário de Nestor Kirchner comemorava a vitória no primeiro turno daquele pleito. - “Naquele momento, com Carlos Menem ao meu lado, tive o impulso de ligar para a Rádio Gaúcha e o entrevistei no ar”. Antes mesmo dessa estreia em outro veículo que não o jornal, ele já se firmava como repórter da editoria de mundo, em ZH, e foi convidado para fazer um comentário internacional no programa Estúdio 36 da TV COM. - “O repórter quer ser, sempre, mais visto, mais lido, mais ouvido e, hoje, mais tuidado, retuitado. A reportagem multimídia te possibilita que a informação que você apurou chegue a um número cada vez maior de pessoas”.

O jornalista manteve o tom descontraído da palestra ao mostrar erros de gravação de outras reportagens multimídia, realizadas no ano passado, que fizeram parte da série “Caminho até o Piratini”. O repórter e o fotógrafo-cinegrafista Jefferson Botega percorreram o Rio Grande do Sul, de carro, em busca dos sonhos dos gaúchos, antes das eleições daquele ano. O material foi publicado no jornal Zero Hora, na RBS TV e em um blog no Clic RBS.



As coberturas que resultaram em livro

A posse do presidente Barack Obama, o furacão Katrina, em New Orleans e o velório do Papa João Paulo II foram coberturas marcantes do repórter para diversas mídias. Todos esses episódios são contados no recentemente lançado livro do jornalista “Guerras e Tormentas, Diário de um Correspondente Internacional”. Em entrevista aos alunos do curso de jornalismo, durante o “Papo de Redação” Rodrigo Lopes confidenciou a sua cobertura preferida e elogiou a participação de Álvaro Andrade, aluno da ULBRA e vencedor do concurso “Primeira Pauta”, em 2010, na cobertura do resgate dos mineiros no Chile.


terça-feira, 23 de agosto de 2011

Correspondente internacional participa do Papo de Redação


O jornalista, correspondente de guerra e repórter internacional, Rodrigo Lopes, será o entrevistado do já consagrado Papo de Redação, em sua primeira edição no segundo semestre de 2011. Lopes lançou, recentemente, o livro “Guerras e Tormentas, Diário de um Correspondente Internacional”. O livro detalha os bastidores de coberturas já realizadas por ele em seus 15 anos como repórter multimídia do Grupo RBS. O encontro ocorrerá no dia 30 de agosto, às 19h30 na sala 203 do prédio 14.

Promovida pelo curso de Jornalismo da ULBRA, a atividade reúne profissionais da área, que dividem experiências com os alunos do curso. Entre os convidados de outras edições do Papo de Redação estão os jornalistas Cid Martins, Jocimar Farina e José Alberto Andrade (Rádio Gaúcha), Moisés Mendes (Zero Hora), Rodrigo Oliveira e Rodrigo Koch (Rádio Guaíba) e Ribeiro Neto (Rádio Bandeirantes).

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

A web e um jornalismo melhor ou pior?

O advento da Internet e, principalmente, as inúmeras formas de difundir a informação de forma rápida e constante que ela possibilita, inegavelmente, mudaram o jornalismo, o jornalista e sua formação profissional. Resta saber se para melhor ou para pior. Esse questionamento ainda não se pode responder com propriedade. O momento é de adaptação, descoberta, desenvolvimento de uma linguagem e identidade própria desse veículo, que também pode ser fonte e ferramenta, fim e meio, mas sobre o qual ainda se desconhecem potencialidades no campo jornalístico.

A busca pela imparcialidade, a apuração bem feita, a investigação, ir para a rua, sair da redação, ouvir fontes (não somente as oficiais) ou, pelo menos, levantar o telefone do gancho são atividades básicas, inerentes à profissão, mas que estão cada vez mais distantes da realidade do jornalista. Não apenas daqueles que trabalham para sites de notícias, mas também dos profissionais das outras mídias. Em uma redação de televisão, por exemplo, uma boa imagem, feita às nove horas da manhã, pode render uma reportagem de destaque em um jornal de veiculação nacional, à noite. No entanto, se ela for difundida massivamente na internet, em grandes sites de notícia, durante o dia inteiro, provavelmente será apenas veiculada como uma nota coberta, se houver tempo, nesse mesmo jornal. A internet mexeu na lógica temporal da veiculação de notícias. O “agora” do rádio, o “há pouco” da televisão e o “ontem” do jornal já enfrentam dificuldade de acomodação diante do, cada vez mais dinâmico, “deadline” da internet, em função de sua instantaneidade, velocidade, necessidade de atualização constante e quantidade exigida de informações.

Os empregadores, sejam eles grandes ou pequenas empresas jornalísticas, aproveitam-se dessas características. Como resultado, os jornalistas desempenham várias funções. Necessitam ter, pelo menos, uma boa noção técnica do uso de ferramentas de edição, publicação e geração de conteúdo de texto e/ou audiovisual. Para os proprietários de sites de notícias, o melhor, mesmo, é que os jornalistas as dominem completamente. Os pequenos querem fazer algo parecido ao que fazem os grandes veículos, mas têm as limitações financeiras oriundas do fato de serem pequenos. No entanto, a web é democrática, qualquer um pode publicar o que quiser e permite uma megalomania informativa digital, que só poderá ser sustentada por um publicador de informações multitarefado, que, às vezes, consegue ser jornalista. Já as grandes empresas até valorizam o chamado profissional multimídia. São desenvolvidos cursos, investe-se nos super-repórteres, que até ganham mais que os outros, mas desempregam outros quatro ou cinco. Na verdade, é mais uma forma de reduzir custos.

Em meio a tanta novidade, à necessidade de se produzir cada vez mais conteúdo jornalístico para abastecer os sites e à sobrecarga imposta ao jornalista, nesses tempos de internet, nunca foi tão importante a formação profissional acadêmica. É fundamental oferecer o subsídio necessário para que os novos jornalistas não se limitem a meros reprodutores de conteúdo, tecnólogos em digitação e copydesk, e para que desenvolvam a consciência crítica de que realizam um trabalho intelectual. A academia precisa criar as condições para que a maior ferramenta do jornalista, que é a palavra, seja utilizada com propriedade, esmero, correção, seja no veículo que for. É preciso voltar às origens. Ter uma formação mais humanística, o que jamais será substituído pelo tecnicismo, pela forma e pelos programas de computador. Mais importante do que responder se o jornalismo está mudando para melhor ou para pior, com a internet, talvez seja ter esse questionamento sempre presente, no dia-a-dia das redações.