Em meio a um clima de descontração, o jornalista e correspondente de guerra do Grupo RBS, Rodrigo Lopes, dividiu com alunos do curso de comunicação as experiências dos bastidores de grandes reportagens e de quinze coberturas internacionais. Durante o “Papo de Redação”, da última terça-feira, Lopes falou, ininterruptamente, por mais de duas horas, mas, em momento algum, deixou de contar com a total atenção dos estudantes. O tom desenvolto da palestra foi ditado logo nos primeiros minutos. O jornalista se apresentou ao público como o único repórter de rádio a entrar na embaixada brasileira, em Honduras, em 2009; como o único repórter a cobrir os dois lados do conflito entre Israel e o Hezbollah, em 2006; como jornalista premiado pelas mãos do Rei da Espanha, em 2003; mas também como o neto da dona Ana, dindo do Miguel e dono da gata Benin, provocando gargalhadas e empatia de quem o assistia.
Rodrigo Lopes refletiu sobre o desafio e as oportunidades de ser um repórter multimídia e contou como foi o começo do seu trabalho em diferentes plataformas. Quando era repórter somente do Jornal Zero Hora, em 2003, realizou sua primeira cobertura internacional nas eleições presidenciais da Argentina. O jornalista estava em um hotel, um reduto menemista, onde o então adversário de Nestor Kirchner comemorava a vitória no primeiro turno daquele pleito. - “Naquele momento, com Carlos Menem ao meu lado, tive o impulso de ligar para a Rádio Gaúcha e o entrevistei no ar”. Antes mesmo dessa estreia em outro veículo que não o jornal, ele já se firmava como repórter da editoria de mundo, em ZH, e foi convidado para fazer um comentário internacional no programa Estúdio 36 da TV COM. - “O repórter quer ser, sempre, mais visto, mais lido, mais ouvido e, hoje, mais tuidado, retuitado. A reportagem multimídia te possibilita que a informação que você apurou chegue a um número cada vez maior de pessoas”.
O jornalista manteve o tom descontraído da palestra ao mostrar erros de gravação de outras reportagens multimídia, realizadas no ano passado, que fizeram parte da série “Caminho até o Piratini”. O repórter e o fotógrafo-cinegrafista Jefferson Botega percorreram o Rio Grande do Sul, de carro, em busca dos sonhos dos gaúchos, antes das eleições daquele ano. O material foi publicado no jornal Zero Hora, na RBS TV e em um blog no Clic RBS.
As coberturas que resultaram em livro
A posse do presidente Barack Obama, o furacão Katrina, em New Orleans e o velório do Papa João Paulo II foram coberturas marcantes do repórter para diversas mídias. Todos esses episódios são contados no recentemente lançado livro do jornalista “Guerras e Tormentas, Diário de um Correspondente Internacional”. Em entrevista aos alunos do curso de jornalismo, durante o “Papo de Redação” Rodrigo Lopes confidenciou a sua cobertura preferida e elogiou a participação de Álvaro Andrade, aluno da ULBRA e vencedor do concurso “Primeira Pauta”, em 2010, na cobertura do resgate dos mineiros no Chile.