quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Neto da dona Ana discute a figura do repórter multimídia



Em meio a um clima de descontração, o jornalista e correspondente de guerra do Grupo RBS, Rodrigo Lopes, dividiu com alunos do curso de comunicação as experiências dos bastidores de grandes reportagens e de quinze coberturas internacionais. Durante o “Papo de Redação”, da última terça-feira, Lopes falou, ininterruptamente, por mais de duas horas, mas, em momento algum, deixou de contar com a total atenção dos estudantes. O tom desenvolto da palestra foi ditado logo nos primeiros minutos. O jornalista se apresentou ao público como o único repórter de rádio a entrar na embaixada brasileira, em Honduras, em 2009; como o único repórter a cobrir os dois lados do conflito entre Israel e o Hezbollah, em 2006; como jornalista premiado pelas mãos do Rei da Espanha, em 2003; mas também como o neto da dona Ana, dindo do Miguel e dono da gata Benin, provocando gargalhadas e empatia de quem o assistia.



Rodrigo Lopes refletiu sobre o desafio e as oportunidades de ser um repórter multimídia e contou como foi o começo do seu trabalho em diferentes plataformas. Quando era repórter somente do Jornal Zero Hora, em 2003, realizou sua primeira cobertura internacional nas eleições presidenciais da Argentina. O jornalista estava em um hotel, um reduto menemista, onde o então adversário de Nestor Kirchner comemorava a vitória no primeiro turno daquele pleito. - “Naquele momento, com Carlos Menem ao meu lado, tive o impulso de ligar para a Rádio Gaúcha e o entrevistei no ar”. Antes mesmo dessa estreia em outro veículo que não o jornal, ele já se firmava como repórter da editoria de mundo, em ZH, e foi convidado para fazer um comentário internacional no programa Estúdio 36 da TV COM. - “O repórter quer ser, sempre, mais visto, mais lido, mais ouvido e, hoje, mais tuidado, retuitado. A reportagem multimídia te possibilita que a informação que você apurou chegue a um número cada vez maior de pessoas”.

O jornalista manteve o tom descontraído da palestra ao mostrar erros de gravação de outras reportagens multimídia, realizadas no ano passado, que fizeram parte da série “Caminho até o Piratini”. O repórter e o fotógrafo-cinegrafista Jefferson Botega percorreram o Rio Grande do Sul, de carro, em busca dos sonhos dos gaúchos, antes das eleições daquele ano. O material foi publicado no jornal Zero Hora, na RBS TV e em um blog no Clic RBS.



As coberturas que resultaram em livro

A posse do presidente Barack Obama, o furacão Katrina, em New Orleans e o velório do Papa João Paulo II foram coberturas marcantes do repórter para diversas mídias. Todos esses episódios são contados no recentemente lançado livro do jornalista “Guerras e Tormentas, Diário de um Correspondente Internacional”. Em entrevista aos alunos do curso de jornalismo, durante o “Papo de Redação” Rodrigo Lopes confidenciou a sua cobertura preferida e elogiou a participação de Álvaro Andrade, aluno da ULBRA e vencedor do concurso “Primeira Pauta”, em 2010, na cobertura do resgate dos mineiros no Chile.


terça-feira, 23 de agosto de 2011

Correspondente internacional participa do Papo de Redação


O jornalista, correspondente de guerra e repórter internacional, Rodrigo Lopes, será o entrevistado do já consagrado Papo de Redação, em sua primeira edição no segundo semestre de 2011. Lopes lançou, recentemente, o livro “Guerras e Tormentas, Diário de um Correspondente Internacional”. O livro detalha os bastidores de coberturas já realizadas por ele em seus 15 anos como repórter multimídia do Grupo RBS. O encontro ocorrerá no dia 30 de agosto, às 19h30 na sala 203 do prédio 14.

Promovida pelo curso de Jornalismo da ULBRA, a atividade reúne profissionais da área, que dividem experiências com os alunos do curso. Entre os convidados de outras edições do Papo de Redação estão os jornalistas Cid Martins, Jocimar Farina e José Alberto Andrade (Rádio Gaúcha), Moisés Mendes (Zero Hora), Rodrigo Oliveira e Rodrigo Koch (Rádio Guaíba) e Ribeiro Neto (Rádio Bandeirantes).

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

A web e um jornalismo melhor ou pior?

O advento da Internet e, principalmente, as inúmeras formas de difundir a informação de forma rápida e constante que ela possibilita, inegavelmente, mudaram o jornalismo, o jornalista e sua formação profissional. Resta saber se para melhor ou para pior. Esse questionamento ainda não se pode responder com propriedade. O momento é de adaptação, descoberta, desenvolvimento de uma linguagem e identidade própria desse veículo, que também pode ser fonte e ferramenta, fim e meio, mas sobre o qual ainda se desconhecem potencialidades no campo jornalístico.

A busca pela imparcialidade, a apuração bem feita, a investigação, ir para a rua, sair da redação, ouvir fontes (não somente as oficiais) ou, pelo menos, levantar o telefone do gancho são atividades básicas, inerentes à profissão, mas que estão cada vez mais distantes da realidade do jornalista. Não apenas daqueles que trabalham para sites de notícias, mas também dos profissionais das outras mídias. Em uma redação de televisão, por exemplo, uma boa imagem, feita às nove horas da manhã, pode render uma reportagem de destaque em um jornal de veiculação nacional, à noite. No entanto, se ela for difundida massivamente na internet, em grandes sites de notícia, durante o dia inteiro, provavelmente será apenas veiculada como uma nota coberta, se houver tempo, nesse mesmo jornal. A internet mexeu na lógica temporal da veiculação de notícias. O “agora” do rádio, o “há pouco” da televisão e o “ontem” do jornal já enfrentam dificuldade de acomodação diante do, cada vez mais dinâmico, “deadline” da internet, em função de sua instantaneidade, velocidade, necessidade de atualização constante e quantidade exigida de informações.

Os empregadores, sejam eles grandes ou pequenas empresas jornalísticas, aproveitam-se dessas características. Como resultado, os jornalistas desempenham várias funções. Necessitam ter, pelo menos, uma boa noção técnica do uso de ferramentas de edição, publicação e geração de conteúdo de texto e/ou audiovisual. Para os proprietários de sites de notícias, o melhor, mesmo, é que os jornalistas as dominem completamente. Os pequenos querem fazer algo parecido ao que fazem os grandes veículos, mas têm as limitações financeiras oriundas do fato de serem pequenos. No entanto, a web é democrática, qualquer um pode publicar o que quiser e permite uma megalomania informativa digital, que só poderá ser sustentada por um publicador de informações multitarefado, que, às vezes, consegue ser jornalista. Já as grandes empresas até valorizam o chamado profissional multimídia. São desenvolvidos cursos, investe-se nos super-repórteres, que até ganham mais que os outros, mas desempregam outros quatro ou cinco. Na verdade, é mais uma forma de reduzir custos.

Em meio a tanta novidade, à necessidade de se produzir cada vez mais conteúdo jornalístico para abastecer os sites e à sobrecarga imposta ao jornalista, nesses tempos de internet, nunca foi tão importante a formação profissional acadêmica. É fundamental oferecer o subsídio necessário para que os novos jornalistas não se limitem a meros reprodutores de conteúdo, tecnólogos em digitação e copydesk, e para que desenvolvam a consciência crítica de que realizam um trabalho intelectual. A academia precisa criar as condições para que a maior ferramenta do jornalista, que é a palavra, seja utilizada com propriedade, esmero, correção, seja no veículo que for. É preciso voltar às origens. Ter uma formação mais humanística, o que jamais será substituído pelo tecnicismo, pela forma e pelos programas de computador. Mais importante do que responder se o jornalismo está mudando para melhor ou para pior, com a internet, talvez seja ter esse questionamento sempre presente, no dia-a-dia das redações.